A comunidade brasileira de software livre é um tanto fechada (talvez até grosseira) quando aparece uma nova distribuição. Se essa distribuição for um reempacotamento então é quase melhor deixar de divulgar e portanto deixar de receber tantas críticas ferozes.
Se depender dos comentários que lemos pela internet, seria melhor se houvesse no máximo dez distros grandes e as pequenas simplesmente não fossem criadas.
Particularmente acho essa postura infantil, e argumento por argumento quero explicar esse ponto de vista.
1 – A diversidade de distros afasta o usuário iniciante.
Acho que a campanha do Mac que fala mal das versões do Windows faz mais efeito do que devia. A diversidade de distros na verdade garante que o usuário possa encontrar o seu sabor favorito, ou ter um sistema adequado às suas necessidades. Se é um iniciante sem conhecimento técnico para personalizar o sistema, conseguir um sistema já personalizado garante que ele vá ingressar no universo Linux. Neodizinha voltada para máquinas antigas, Dreamlinux, voltada para designers, Big Linux, Kurumin e Kalango, verdadeiras escolas ou soluções prontas.
A diversidade garante ao usuário a chance de encontrar uma distribuição que atenda às suas necessidades. Afirmar que as distros pequenas não deveriam existir é afirmar que as grandes atendem plenamente todos os usuários, o que sabemos que não é verdade. Não existe solução perfeita para todo mundo.
2 – O excesso de distribuição prejudica o desenvolvimento
Sempre aparecem os que dizem que é melhor contribuir para as grandes distros. No entanto, as grandes distros, por causa de seu tamanho precisam de mecanismos democráticos para assimilar novas funcionalidades, onde a contribuição do desenvolvedor pode simplesmente ser recusada. As pequenas distros são laboratórios para o desenvolvimento de tecnologias que no futuro podem ser adotadas globalmente. Ao incluir sua tecnologia em uma pequena distro onde há menos probabilidade de incompatibilidade com outros recursos e menos interferência externa sobre seu trabalho o desenvolvedor ganha liberdade para levar sua ideia adiante.
Exemplos de distros nacionais que desenvolvem tecnologias são Epidemic Linux, que tem um dos mais rápidos e eficientes instaladores livecd e módulos de configuração próprias integrados ao programa de configuração do KDE, unificando as opções di sistema com as específicas da distro e o Resulinux, que tem desenvolvido um trabalho muito interessante de aceleração de boot e controle de performance e prioridades do sistema para as distros derivadas de Debian.
3 – A maioria das distros criadas é inútil
Sim, existe um excesso de distros voltadas para uso geral e principiantes. Sim, concordo que maquiagens que apenas alteram tema não podem ou devem ser empacotadas como uma nova distribuição, mas afirmar que as distros são inúteis é dizer que as distros servem apenas para serem utilizadas.
As distros tem outras funções. Uma delas é pedagógica. A formação dos desenvolvedores. Com o aprendizado adquirido durante o desenvolvimento eles adquirem a capacidade de fazer cada vez mais. Outra é de propiciar um ambiente de desenvolvimento e teste para aquele recurso próprio desenvolvido pela distribuição. Outra fazer uma seleção de recursos e ferramentas para iniciantes e outra uma seleção para algum nicho específico do mercado.
As distros tem um objetivo objetivo, declarado em sua página, e outros mais subjetivos, mas ligados ao simples fato delas existirem.
No entanto, existe um ponto onde as distros brasileiras pecam e devem ser criticadas com razão. Na parte de compartilhar as suas soluções com a comunidade.
Num mundo ideal você não precisaria baixar e instalar uma distro para ter acesso ao código das soluções e programas exclusivos dela. Várias distros usam o kernel do Sidux, que é um excelente exemplo de distro pequena derivada de outras que desenvolve tecnologia, (não é bem tecnologia, mas a compilação feita pela equipe Sidux é tão boa que é bastante utilizada) mas facilita o acesso dessa tecnologia por outras pessoas.
Mas considerando a falta de apoio dessas distros, não espanta que elas tenham que se dedicar tanto à simples assistência dos usuário e desenvolvimento que quase não sobre tempo ou energia para separar e publicar o que elas tem de específico, contribuindo assim com a comunidade.
O que faz de uma distribuição grande ou pequena é apenas a adesão da comunidade. É por isso que SUSE, Mandriva e Fedora, que são excelentes distribuições tecnicamente tenham tão pouca força no Brasil. Porque o Brasil de Conectiva a Kurumim sempre se usou apt. Porque o boom do linux nacional aconteceu com livecd Debian based no rastro do Kurumim que por causa da desatualização dos repositórios Debian migrou para Ubuntu, onde as pessoas descobriram que é mais fácil usar uma grande distro com fóruns de suporte grandes e cara mais profissionais que investir na GPL.
A liberdade de criar, alterar e redistribuir código é difícil. É muito mais cômodo adotar a postura de consumidor que apenas espera que a empresa lance a nova versão do produto que participar de um fórum pequeno reportando bugs de uma distro pequena e respondendo dúvidas primárias de usuários primários. E quando aparece uma nova distro simplesmente falar que é perda de tempo, apenas porque estamos satisfeitos sendo simples consumidores das grandes distros.