Originalmente publicado em 30 de junho de 2009
É interessante fazer essa pergunta em um momento de revitalização do projeto como esse. O KDE ganha (e reconquista) adeptos com sua versão 4.2.X excelente e provavelmente continuará seu ciclo virtuoso com a 4.3.X e assim por diante.
Mas existem dois fatores importantes para avaliar o futuro do KDE.
- Licenciamento do QT em LGPL.
Com essa medida desenvolvedores foram atraídos já que o framework pode ser usado para projetos comerciais. - Riqueza do framework QT a partir da versão 4
Antigamente se via uma diferença clara de qualidade entre aplicativos QT e aplicativos KDE. O QT era muito mais pobre e limitado. Atualmente não mais
Antes era incomum encontrar aplicações ricas em recursos e agradáveis ao olhar escritas em QT, hoje a situação começa a mudar. Aplicações KDE ainda são via de regra mais poderosas que as QT, mas podemos classificar o poder as aplicações KDE4 como overkill. Plasma, geolocalização, solid, composição, nepomuk, etc são mais do que se espera de um ambiente desktop, mais do que se espera de uma aplicação. O KDE 4 está abrindo fronteiras e desbravando terrenos, o QT é mais tradicional, mas não passa mais a imagem de pobreza. A prória aparência do QT é mais agradável agora uma vez que temas KDE como o Bespin ou Oxygen são também temas do QT.
Procurando aplicações QT puras encontramos por exemplo o Cuberok, que não consegue competir com o Amarok2, mas está no páreo de Exile, Listen e Amarok 1.4.
Se o Konversation ainda não deu as caras, apareceu o Quassel que em nada fica devendo.
Na falta de plasmoids simplesmente se cria uma nova engine de gadgets, a Kludget.
Sem uma solução de PIM integrada como o Kontact/Akonadi, mas com um programinha legal chamado qOrganizer. Um cliente único de download para http, ftp, torrent, rapidshare, youtube, etc, o Fatrat.
Todos nós conhecemos o Psi, talvez até o qTwitter, mas de projetos ambiciosos como o qxhtmledit, que me pareceu um editor web wysiwyg mais competente que o Komposer/NVU até coisas simples e lindas como o Picturewall que permite navegação visual das imagens do computador.
Sem contar projetos antigos e razoavelmente desconhecidos como o Mantools (Mandvd, Manslide e Manencode) que é a melhor opção para iniciantes na área de projetos de vídeo caseiros e MyMediaPlayer que me pareceu bem mais leve que o Elisa quando instalei.
E pra completar, a cereja do bolo, Antico, um gerenciador de janelas QT em fase inicial de desenvolvimento e Arora, um browser que usa a engine do webkit.
Mas essa lista toda tem que ter um motivo…
Bem o motivo é falar que o QT está ganhando importância diante do KDE. Uma importância que antes não tinha. Uma aplicação QT é menos integrada, mas exatamente por isso mais fácil de distribuir. os 30 MB do framework QT e todas elas funcionam. Enquanto uma KDE vai precisar de uns 300 só apra as dependências.
Assim como aplicações GTK há algum tempo atrás tomaram de assalto outras plataformas como por exemplo GIMP e Firefox, podemos ver esse movimento com o QT no futuro. Já é praticamente possível construir uma distribuição baseada em aplicativos QT. Quase todos ainda novos e carecendo de maturidade, mas bastante usavies e funcionais.
O futuro do KDE provavelmente vai ser continuar na vanguarda inovando e garantindo o direito de se chamar de “most powerful desktop enviroment”. É claro contribuindo para o framework QT, como por exemplo foi o phonon que foi assimilado depois de ser criado no KDE.
O que fica cada vez mais claro para mim é que cada vez mais desenvolvedores vão potar por manter suas aplicações usando apenas as biblioteas QT, e as aplicações KDE vão cada vez mais se resumir às oficiais (ou semi oficiais), ao contrário do que ocorria anteriormente.
Não que isso seja ruim para o usuário do KDE, já que as aplicações QT se integram perfeitamente ao ambiente.
E de modo algum para o próprio KDE.
Garante aplicativos de terceiros integrados ao sistema e programadores com conhecimento sobre a base de sua API.
Naturalmente em termos de marketing também é uma boa um crescimento das aplicações QT.
É apenas o começo. Vejamos no que que dá.

